Cidadania Italiana, Logosofia

Valores.

Os valores que norteiam a nossa vida edificam o conceito forjado frente aos demais, e perpetuam nossa estadia na etapa de existência que nos encontramos. Noto que o ser de hoje é fruto do esforço e do trabalho que o ser de ontem empreendeu. Ser grato ao que se viveu é o primeiro passo para edificar um amanhã mais feliz.

Uma pessoa sem história é um ente que vegeta pelo mundo. O legado que deixaremos às gerações futuras é construído com o suor de hoje, com o que empreendemos agora e herdamos no amanhã. Na imigração italiana para o Brasil encontramos inúmeros exemplos de que o trabalho é um dos maiores valores que o ser humano possui. Não é toa que cidades como Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Farroupilha se tornaram importantes pólos industriais. Porque naquele povo, assim como em toda aquela região, há presente o pensamento de progresso aliado ao esforço.

Que nossa geração possa, de alguma forma, se espelhar nesses camponeses que saíram da Itália sem nada, e que aqui chegando edificaram um futuro que hoje desfrutamos com tanto carinho. Herdamos o resultado do esforço de muitos imigrantes!

Será que não podemos fazer o mesmo, e deixar à humanidade de amanhã um porvir mais sustentável, com pessoas mais felizes? Penso que este seja uma das grandes razões porque Deus deu ao ser humano a capacidade de pensar, de exercer sua liberdade com livre arbítrio e de mudar sua rota de evolução.

Que possamos então, corrigir o que deve ser corrigido, e deixar aos nossos filhos o que de melhor possuímos. Afinal, foi isso que recebemos de nossos antepassados.

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Logosofia, Opinião

O nada.

O nada é o acaso, é o vazio. Para alguns, é a própria vida. Para outros, é a fuga, o desalento. Há aqueles que vem no nada, o infinito, o impossível, o inimaginável. Mas para mim, porém, o nada é simplesmente o nada. Não vejo nada de especial no nada.

É incrível como certas palavras ganham significados diferentes no decorrer do tempo. A personalidade, por exemplo, adquire na psicologia um conceito diferente daquele antigamente atribuído a um personagem numa peça teatral, ou até mesmo, a própria “máscara” na tradição etrusca.  E assim pode-se dizer que há inúmeros exemplos.

No nosso tempo, algumas marcas passaram a ser sinônimos do produto. É o caso da gilete, do xérox e da maisena. No sul do país, o doce de leite é carinhosamente conhecido por “mu-mu”.

Que sentido teriam então as palavras na formação do nosso caráter, do que somos hoje? Não seriam elas condutoras de conceitos e concepções que se amparam nas leis do universo? Não seriam elas parte da linguagem do criador? Mas se fossem, por que se alteram tanto? Por que são tão flexíveis, tão mutáveis? Não teriam as palavras certo valor? Que valor é esse?

Parafraseando Humberto Gessinger, vocalista dos Engenheiros do Havaii, o nada não é mais que uma palavra esperando ainda por uma tradução. De fato, o nada talvez sempre seja simplesmente o nada.

Logosofia, Opinião

Os desafios da própria vida.

O insólito destino retratado no livro “As aventuras de PI“, do escritor canadense Yann Martel, mostra o drama da vida humana frente a desafios extremos. Embora a ideia central do texto já houvesse sido narrada anteriormente pelo escritor gaúcho Moacyr Scliar, em “Max e os Felinos“, a narrativa não deixa de causar no leitor certas reflexões.

Numa leitura simbólica, podemos admitir que o tigre de bengalas representa as adversidades, enquanto que o oceano ou a própria travessia, o tempo. O tripé se forma com a constância ou para alguns, a fé em si mesmo, força que estimulou o jovem PI a se colocar acima das próprias limitações e encontrar uma luz. O que sustenta estes elementos é o conhecimento que o rapaz tinha sobre zootecnia, fundamental para garantir sua sobrevivência nos mais de 200 dias em alto mar.

Temos então o tempo, as adversidades e a fé em si mesmo em íntima relação com o conhecimento.

No cotidiano não é assim? Não temos lutas a enfrentar, que com o tempo aprendemos a lidar? Foi esta relação que fiz ao ler as páginas do livro de Martel. Entendo que talvez o aspecto mais importante do livro seja a fé em si mesmo aliada ao conhecimento. Como ter fé na minha capacidade de superação, se desconheço minhas potencialidades? Como ultrapassar meus próprios limites, se me vejo como um derrotado logo no início da trajetória? Como lutar se não sei que armas possuo?

Na ciência logosófica encontrei elementos que me ensinam que a “vida é luta“, e que a vitória nada mais é que a oportunidade criada através da luta. Ou seja, se não luto, não tenho como ser vitorioso, se não luto não tenho como saber se tenho ou não a chance de vencer. Este aspecto é muito importante, porque me coloca de forma diferente frente aos desafios que se apresentam à vida. Os problemas fazem parte da vida, e cabe ao ser humano utilizar sua inteligência para encontrar meios de transforma-los em oportunidades.

A luta de PI ou de MAX, no caso do livro de Moacyr Scliar, era na verdade a batalha contra tudo que avilta contra sua liberdade de pensar, tudo o que lhe oprime, tudo o que lhe isola, tudo o que limita sua vida. O oceano nada mais é que um limitador, pois mesmo se soubesse nadar, não haveria como enfrentar a braçadas todos os perigos ali existentes. Teria de encontrar formas de se manter vivo enquanto a ajuda não vinha. É como se PI tivesse o tempo como um aliado, e seus conhecimentos lhe possibilitaram se colocar ao amparo desta prerrogativa.

O conhecimento apresentado pela Logosofia, me permite ler um simples livro com um olhar ampliado. No caso supracitado, me estimula a transcender suas páginas e associar as lições apresentadas na aplicação direta com minha própria vida. Isso ocorre porque o método logosófico preconiza a aplicação de tudo o que aprendemos, a vida torna-se assim um campo experimental, onde vivencio o que estudo, ampliando o caudal de conhecimentos que possuo.

As relações entre o livro e a própria vida são muito importantes, desde que ganhem efetiva aplicação diária. Por exemplo, no mundo organizacional vivenciamos uma série de desafios, alguns até se parecem com o tal tigre de bengaladas, e a sensação é que não temos para onde correr. Talvez, o primeiro movimento que ocorre é nos questionar sobre a capacidade que temos de enfrentá-lo, de encontrar uma solução possível. Nem sempre nos advertimos que a luta é decorrente de inúmeras batalhas, e que cada vitória (ou até mesmo derrota) nos brinda com alguma experiência. Quando lutamos e enfrentamos de frente o problemas, nos capacitamos. Um pequeno desafio pode gerar um grande estímulo!

Enquanto o PI ou o MAX ou nós mesmos encontramos motivos para entrar na luta para valer, cabe lembrar que para o tigre de bengalas ou o próprio jaguar aquele mundo também é novo, é desconhecido para ele. O fato é que nossa postura frente a adversidade e o conhecimento que temos sobre ela, é que determinará a experiência favorável ou não que teremos. Mas o certo é que lutando sempre teremos a oportunidade de vencer ou de perder, enquanto que a decisão de não enfrentar sepulta, antecipadamente, toda possibilidade de vitória.

Logosofia

Ordenamento mental.

Retorno a escrever depois de muito tempo sem escrever nada. Na escola, minha professora me ensinava que não deveria iniciar pelo título, mas pela ideia do texto. Ela acreditava que a inspiração de um bom título sempre vinha durante a construção da redação. No entanto, fui desobediente, sempre comecei meus textos pelo título, e depois escrevia o resto. Algumas vezes até deixava de escrever a redação quando não conseguia criar um título que me agradasse. Entretanto, nunca tive problema com boas notas em redação. Aliás, sempre fiz sucesso nos vestibulares neste quesito.

Hoje me permito fazer diferente. Faz tanto tempo que não escrevo. Que diferença faz? Que o título saia então bem inspirado ao final. Sabe se lá se a professora não estava certa? Nunca é tarde para realizar câmbios.

Muitas coisas me fizeram parar de escrever. Talvez a mente tenha enferrujado. Talvez tenha priorizado outras coisas na minha vida. São muitos “talvezes” que sei lá. Senti, porém, que já não escrevo mais com a habilidade que escrevia no passado. E isso precisa mudar, urgente. Porque me sinto bem quando escrevo, me sinto feliz e sereno. As ideias vem, os dedos começam a se movimentar – depois do título, é claro – e em alguns minutos os pensamentos se tornam palpáveis. As palavras são para mim como notas musicais, os acordes de uma linda canção.

O pensamento é muito engraçado. Na logosofia aprendi que o pensamento tem vida própria, que pode ser positivo ou negativo, próprio ou alheio, e que tudo o que me rodeia, seja criado pelo homem ou não, é fruto de um pensamento. Faz sentido. Uma mesa antes de ser mesa, estava na mente do desenhista ou projetista. Logo, antes que alguém pudesse tocá-la, era apenas um pensamento. Quantos pensamentos não ganham vida todos os dias? Quantos não morrem sem ter a oportunidade de se tornarem palpáveis? Essa simples compreensão faz mais sentido ainda quando escrevo um texto ou quando crio algo.

Uma ideia na mente é apenas uma ideia. Mas, uma ideia escrita ganha vida, nasce para o mundo. Essa compreensão me permitiu entender um pouco melhor o funcionamento da minha mente. Minha professora de língua portuguesa também dizia que quanto mais eu leio, melhor escrevo. E isso ocorre porque quanto mais eu leio, mais informação minha mente capta, mais contato com a língua escrita eu tenho, e por isso, novas ideias vão surgindo e, ao tentar colocar no papel, passo a escrever com mais qualidade. Mas, se escrevo de forma constante, comprovadamente também escrevo com mais aptidão. É que nesse caso, as ideias (ou os pensamentos) estão melhor ordenadas na mente, e talvez seja por isso que ganho maior habilidade textual.

Hoje volto a escrever. Tenho um ideal, um anelo a ser perseguido. Um pequeno texto por semana! Não é muito não. Se alguém irá ler o que escrevo, talvez isso não importe muito nesse momento. Mas o exercício de ler e escrever, escrever e ler, me capacita a conhecer meus pensamentos e a ordená-los, o que torna minha mente muito mais ágil e produtiva. E nos tempos atuais sei do quanto isso é importante.

Cidadania Italiana

Cidadão brasileiro e italiano

passaporte_italiano
Passaporte Italiano

Nos últimos meses algumas pessoas têm me perguntado sobre as vantagens/desavantagens de ter a cidadania italiana reconhecida. Quando se inicia um processo, deve-se ter em conta que não é algo simples, tão pouco rápido.

Primeiramente, cabe pensar: O que é ser um cidadão? O que é ser um cidadão italiano morando no Brasil? O que é ser um cidadão italiano e brasileiro ao

mesmo tempo? Será que é deixar de torcer para o Brasil na Copa do Mundo? Ou quem sabe dar nomes italianos aos filhos? Será que ser cidadão é simplesmente ter um documento de identidade ou um passaporte?

Se seu objetivo em ter a cidadania italiana reconhecida seja apenas para ter um passaporte europeu, recomendo que desista. Nem comece essa busca! Primeiro porque os brasileiros não precisam de passaporte europeu para fazer turismo na Itália ou qualquer outro país da União Europeia. Segundo, e o principal, é que o processo pode levar alguns anos, e se não houver um objetivo mais permanente, você poderá acabar sendo vencido pelo cansaço, e terá investido um bom dinheiro para nada.

O que me fez iniciar esse processo foi a necessidade de conhecer melhor a origem da minha família. Depois do início da pesquisa por documentos antigos, passei a me aprofundar na cultura italiana e tentei identificar em minha vida os traços dela. Em certo momento, iniciei meus estudos da língua italiana, e depois a comecei a ler jornais e revistas com notícias sobre a Itália. Esse movimento me estimulou a ficar conectado com a Itália durante os quase 10 anos de espera no consulado de Porto Alegre. Hoje me identifico muito com a cultura e os costumes italianos.

Quando a chegada do meu primeiro filho, em 2009, passei a querer deixar a ele esse legado, uma oportunidade às gerações futuras para poder estudar na Europa sem preocupações com vistos de permanência. Os meus descendentes serão os grandes beneficiados, pois poderão ter uma experiência no exterior realmente muito ampla e significativa.