Logosofia, Opinião

O nada.

O nada é o acaso, é o vazio. Para alguns, é a própria vida. Para outros, é a fuga, o desalento. Há aqueles que vem no nada, o infinito, o impossível, o inimaginável. Mas para mim, porém, o nada é simplesmente o nada. Não vejo nada de especial no nada.

É incrível como certas palavras ganham significados diferentes no decorrer do tempo. A personalidade, por exemplo, adquire na psicologia um conceito diferente daquele antigamente atribuído a um personagem numa peça teatral, ou até mesmo, a própria “máscara” na tradição etrusca.  E assim pode-se dizer que há inúmeros exemplos.

No nosso tempo, algumas marcas passaram a ser sinônimos do produto. É o caso da gilete, do xérox e da maisena. No sul do país, o doce de leite é carinhosamente conhecido por “mu-mu”.

Que sentido teriam então as palavras na formação do nosso caráter, do que somos hoje? Não seriam elas condutoras de conceitos e concepções que se amparam nas leis do universo? Não seriam elas parte da linguagem do criador? Mas se fossem, por que se alteram tanto? Por que são tão flexíveis, tão mutáveis? Não teriam as palavras certo valor? Que valor é esse?

Parafraseando Humberto Gessinger, vocalista dos Engenheiros do Havaii, o nada não é mais que uma palavra esperando ainda por uma tradução. De fato, o nada talvez sempre seja simplesmente o nada.

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Logosofia

Ordenamento mental.

Retorno a escrever depois de muito tempo sem escrever nada. Na escola, minha professora me ensinava que não deveria iniciar pelo título, mas pela ideia do texto. Ela acreditava que a inspiração de um bom título sempre vinha durante a construção da redação. No entanto, fui desobediente, sempre comecei meus textos pelo título, e depois escrevia o resto. Algumas vezes até deixava de escrever a redação quando não conseguia criar um título que me agradasse. Entretanto, nunca tive problema com boas notas em redação. Aliás, sempre fiz sucesso nos vestibulares neste quesito.

Hoje me permito fazer diferente. Faz tanto tempo que não escrevo. Que diferença faz? Que o título saia então bem inspirado ao final. Sabe se lá se a professora não estava certa? Nunca é tarde para realizar câmbios.

Muitas coisas me fizeram parar de escrever. Talvez a mente tenha enferrujado. Talvez tenha priorizado outras coisas na minha vida. São muitos “talvezes” que sei lá. Senti, porém, que já não escrevo mais com a habilidade que escrevia no passado. E isso precisa mudar, urgente. Porque me sinto bem quando escrevo, me sinto feliz e sereno. As ideias vem, os dedos começam a se movimentar – depois do título, é claro – e em alguns minutos os pensamentos se tornam palpáveis. As palavras são para mim como notas musicais, os acordes de uma linda canção.

O pensamento é muito engraçado. Na logosofia aprendi que o pensamento tem vida própria, que pode ser positivo ou negativo, próprio ou alheio, e que tudo o que me rodeia, seja criado pelo homem ou não, é fruto de um pensamento. Faz sentido. Uma mesa antes de ser mesa, estava na mente do desenhista ou projetista. Logo, antes que alguém pudesse tocá-la, era apenas um pensamento. Quantos pensamentos não ganham vida todos os dias? Quantos não morrem sem ter a oportunidade de se tornarem palpáveis? Essa simples compreensão faz mais sentido ainda quando escrevo um texto ou quando crio algo.

Uma ideia na mente é apenas uma ideia. Mas, uma ideia escrita ganha vida, nasce para o mundo. Essa compreensão me permitiu entender um pouco melhor o funcionamento da minha mente. Minha professora de língua portuguesa também dizia que quanto mais eu leio, melhor escrevo. E isso ocorre porque quanto mais eu leio, mais informação minha mente capta, mais contato com a língua escrita eu tenho, e por isso, novas ideias vão surgindo e, ao tentar colocar no papel, passo a escrever com mais qualidade. Mas, se escrevo de forma constante, comprovadamente também escrevo com mais aptidão. É que nesse caso, as ideias (ou os pensamentos) estão melhor ordenadas na mente, e talvez seja por isso que ganho maior habilidade textual.

Hoje volto a escrever. Tenho um ideal, um anelo a ser perseguido. Um pequeno texto por semana! Não é muito não. Se alguém irá ler o que escrevo, talvez isso não importe muito nesse momento. Mas o exercício de ler e escrever, escrever e ler, me capacita a conhecer meus pensamentos e a ordená-los, o que torna minha mente muito mais ágil e produtiva. E nos tempos atuais sei do quanto isso é importante.