Logosofia, Opinião

O nada.

O nada é o acaso, é o vazio. Para alguns, é a própria vida. Para outros, é a fuga, o desalento. Há aqueles que vem no nada, o infinito, o impossível, o inimaginável. Mas para mim, porém, o nada é simplesmente o nada. Não vejo nada de especial no nada.

É incrível como certas palavras ganham significados diferentes no decorrer do tempo. A personalidade, por exemplo, adquire na psicologia um conceito diferente daquele antigamente atribuído a um personagem numa peça teatral, ou até mesmo, a própria “máscara” na tradição etrusca.  E assim pode-se dizer que há inúmeros exemplos.

No nosso tempo, algumas marcas passaram a ser sinônimos do produto. É o caso da gilete, do xérox e da maisena. No sul do país, o doce de leite é carinhosamente conhecido por “mu-mu”.

Que sentido teriam então as palavras na formação do nosso caráter, do que somos hoje? Não seriam elas condutoras de conceitos e concepções que se amparam nas leis do universo? Não seriam elas parte da linguagem do criador? Mas se fossem, por que se alteram tanto? Por que são tão flexíveis, tão mutáveis? Não teriam as palavras certo valor? Que valor é esse?

Parafraseando Humberto Gessinger, vocalista dos Engenheiros do Havaii, o nada não é mais que uma palavra esperando ainda por uma tradução. De fato, o nada talvez sempre seja simplesmente o nada.

Anúncios
Logosofia, Opinião

Os desafios da própria vida.

O insólito destino retratado no livro “As aventuras de PI“, do escritor canadense Yann Martel, mostra o drama da vida humana frente a desafios extremos. Embora a ideia central do texto já houvesse sido narrada anteriormente pelo escritor gaúcho Moacyr Scliar, em “Max e os Felinos“, a narrativa não deixa de causar no leitor certas reflexões.

Numa leitura simbólica, podemos admitir que o tigre de bengalas representa as adversidades, enquanto que o oceano ou a própria travessia, o tempo. O tripé se forma com a constância ou para alguns, a fé em si mesmo, força que estimulou o jovem PI a se colocar acima das próprias limitações e encontrar uma luz. O que sustenta estes elementos é o conhecimento que o rapaz tinha sobre zootecnia, fundamental para garantir sua sobrevivência nos mais de 200 dias em alto mar.

Temos então o tempo, as adversidades e a fé em si mesmo em íntima relação com o conhecimento.

No cotidiano não é assim? Não temos lutas a enfrentar, que com o tempo aprendemos a lidar? Foi esta relação que fiz ao ler as páginas do livro de Martel. Entendo que talvez o aspecto mais importante do livro seja a fé em si mesmo aliada ao conhecimento. Como ter fé na minha capacidade de superação, se desconheço minhas potencialidades? Como ultrapassar meus próprios limites, se me vejo como um derrotado logo no início da trajetória? Como lutar se não sei que armas possuo?

Na ciência logosófica encontrei elementos que me ensinam que a “vida é luta“, e que a vitória nada mais é que a oportunidade criada através da luta. Ou seja, se não luto, não tenho como ser vitorioso, se não luto não tenho como saber se tenho ou não a chance de vencer. Este aspecto é muito importante, porque me coloca de forma diferente frente aos desafios que se apresentam à vida. Os problemas fazem parte da vida, e cabe ao ser humano utilizar sua inteligência para encontrar meios de transforma-los em oportunidades.

A luta de PI ou de MAX, no caso do livro de Moacyr Scliar, era na verdade a batalha contra tudo que avilta contra sua liberdade de pensar, tudo o que lhe oprime, tudo o que lhe isola, tudo o que limita sua vida. O oceano nada mais é que um limitador, pois mesmo se soubesse nadar, não haveria como enfrentar a braçadas todos os perigos ali existentes. Teria de encontrar formas de se manter vivo enquanto a ajuda não vinha. É como se PI tivesse o tempo como um aliado, e seus conhecimentos lhe possibilitaram se colocar ao amparo desta prerrogativa.

O conhecimento apresentado pela Logosofia, me permite ler um simples livro com um olhar ampliado. No caso supracitado, me estimula a transcender suas páginas e associar as lições apresentadas na aplicação direta com minha própria vida. Isso ocorre porque o método logosófico preconiza a aplicação de tudo o que aprendemos, a vida torna-se assim um campo experimental, onde vivencio o que estudo, ampliando o caudal de conhecimentos que possuo.

As relações entre o livro e a própria vida são muito importantes, desde que ganhem efetiva aplicação diária. Por exemplo, no mundo organizacional vivenciamos uma série de desafios, alguns até se parecem com o tal tigre de bengaladas, e a sensação é que não temos para onde correr. Talvez, o primeiro movimento que ocorre é nos questionar sobre a capacidade que temos de enfrentá-lo, de encontrar uma solução possível. Nem sempre nos advertimos que a luta é decorrente de inúmeras batalhas, e que cada vitória (ou até mesmo derrota) nos brinda com alguma experiência. Quando lutamos e enfrentamos de frente o problemas, nos capacitamos. Um pequeno desafio pode gerar um grande estímulo!

Enquanto o PI ou o MAX ou nós mesmos encontramos motivos para entrar na luta para valer, cabe lembrar que para o tigre de bengalas ou o próprio jaguar aquele mundo também é novo, é desconhecido para ele. O fato é que nossa postura frente a adversidade e o conhecimento que temos sobre ela, é que determinará a experiência favorável ou não que teremos. Mas o certo é que lutando sempre teremos a oportunidade de vencer ou de perder, enquanto que a decisão de não enfrentar sepulta, antecipadamente, toda possibilidade de vitória.