Ordenamento mental.

Retorno a escrever depois de muito tempo sem escrever nada. Na escola, minha professora me ensinava que não deveria iniciar pelo título, mas pela ideia do texto. Ela acreditava que a inspiração de um bom título sempre vinha durante a construção da redação. No entanto, fui desobediente, sempre comecei meus textos pelo título, e depois escrevia o resto. Algumas vezes até deixava de escrever a redação quando não conseguia criar um título que me agradasse. Entretanto, nunca tive problema com boas notas em redação. Aliás, sempre fiz sucesso nos vestibulares neste quesito.

Hoje me permito fazer diferente. Faz tanto tempo que não escrevo. Que diferença faz? Que o título saia então bem inspirado ao final. Sabe se lá se a professora não estava certa? Nunca é tarde para realizar câmbios.

Muitas coisas me fizeram parar de escrever. Talvez a mente tenha enferrujado. Talvez tenha priorizado outras coisas na minha vida. São muitos “talvezes” que sei lá. Senti, porém, que já não escrevo mais com a habilidade que escrevia no passado. E isso precisa mudar, urgente. Porque me sinto bem quando escrevo, me sinto feliz e sereno. As ideias vem, os dedos começam a se movimentar – depois do título, é claro – e em alguns minutos os pensamentos se tornam palpáveis. As palavras são para mim como notas musicais, os acordes de uma linda canção.

O pensamento é muito engraçado. Na logosofia aprendi que o pensamento tem vida própria, que pode ser positivo ou negativo, próprio ou alheio, e que tudo o que me rodeia, seja criado pelo homem ou não, é fruto de um pensamento. Faz sentido. Uma mesa antes de ser mesa, estava na mente do desenhista ou projetista. Logo, antes que alguém pudesse tocá-la, era apenas um pensamento. Quantos pensamentos não ganham vida todos os dias? Quantos não morrem sem ter a oportunidade de se tornarem palpáveis? Essa simples compreensão faz mais sentido ainda quando escrevo um texto ou quando crio algo.

Uma ideia na mente é apenas uma ideia. Mas, uma ideia escrita ganha vida, nasce para o mundo. Essa compreensão me permitiu entender um pouco melhor o funcionamento da minha mente. Minha professora de língua portuguesa também dizia que quanto mais eu leio, melhor escrevo. E isso ocorre porque quanto mais eu leio, mais informação minha mente capta, mais contato com a língua escrita eu tenho, e por isso, novas ideias vão surgindo e, ao tentar colocar no papel, passo a escrever com mais qualidade. Mas, se escrevo de forma constante, comprovadamente também escrevo com mais aptidão. É que nesse caso, as ideias (ou os pensamentos) estão melhor ordenadas na mente, e talvez seja por isso que ganho maior habilidade textual.

Hoje volto a escrever. Tenho um ideal, um anelo a ser perseguido. Um pequeno texto por semana! Não é muito não. Se alguém irá ler o que escrevo, talvez isso não importe muito nesse momento. Mas o exercício de ler e escrever, escrever e ler, me capacita a conhecer meus pensamentos e a ordená-los, o que torna minha mente muito mais ágil e produtiva. E nos tempos atuais sei do quanto isso é importante.

Cidadão brasileiro e italiano

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Passaporte Italiano

Nos últimos meses algumas pessoas têm me perguntado sobre as vantagens/desavantagens de ter a cidadania italiana reconhecida. Quando se inicia um processo, deve-se ter em conta que não é algo simples, tão pouco rápido.

Primeiramente, cabe pensar: O que é ser um cidadão? O que é ser um cidadão italiano morando no Brasil? O que é ser um cidadão italiano e brasileiro ao

mesmo tempo? Será que é deixar de torcer para o Brasil na Copa do Mundo? Ou quem sabe dar nomes italianos aos filhos? Será que ser cidadão é simplesmente ter um documento de identidade ou um passaporte?

Se seu objetivo em ter a cidadania italiana reconhecida seja apenas para ter um passaporte europeu, recomendo que desista. Nem comece essa busca! Primeiro porque os brasileiros não precisam de passaporte europeu para fazer turismo na Itália ou qualquer outro país da União Europeia. Segundo, e o principal, é que o processo pode levar alguns anos, e se não houver um objetivo mais permanente, você poderá acabar sendo vencido pelo cansaço, e terá investido um bom dinheiro para nada.

O que me fez iniciar esse processo foi a necessidade de conhecer melhor a origem da minha família. Depois do início da pesquisa por documentos antigos, passei a me aprofundar na cultura italiana e tentei identificar em minha vida os traços dela. Em certo momento, iniciei meus estudos da língua italiana, e depois a comecei a ler jornais e revistas com notícias sobre a Itália. Esse movimento me estimulou a ficar conectado com a Itália durante os quase 10 anos de espera no consulado de Porto Alegre. Hoje me identifico muito com a cultura e os costumes italianos.

Quando a chegada do meu primeiro filho, em 2009, passei a querer deixar a ele esse legado, uma oportunidade às gerações futuras para poder estudar na Europa sem preocupações com vistos de permanência. Os meus descendentes serão os grandes beneficiados, pois poderão ter uma experiência no exterior realmente muito ampla e significativa.